Nós temos modos e maneiras diferentes de encarar a vida. Esses modos dependem de três vectores: factores internos, factores externos e um local, a terra de ninguém.
Tudo começa na nossa descendência. Aconteça o que acontecer existe sempre algo em nós do feitio dos nossos pais, avós ou até mesmo tios. Depois a nossa própria maneira de ser, que junto com a herança genética, formará os factores internos.
Posteriormente, a educação que a nossa própria família nos dá, seguida da nossa experiência pessoal à medida que vamos crescendo, desenvolvendo e amadurecendo. A sociedade onde estamos inseridos, e por fim os acontecimentos que a vida nos vai proporcionando, moldando a nossa personalidade à medida que envelhecemos. Estes podem ser chamados de factores externos.
E devido a tudo isto, vamos olhar para cada acontecimento que passe à frente dos nossos olhos, quer tenha directa, indirecta ou “nadamente” a ver connosco, de maneira diferente.
Podemos rir, chorar, intervir, ignorar, aceitar, negar, aprender, obedecer, assimilar ou refutar. Conseguiria preencher mais dez paginas de texto somente com verbos de acção/reacção aos acontecimentos que a vida nos proporciona.
Apesar de todas estas acções/reacções estarem condicionadas aos factores referidos, como seres racionais que somos, temos escolha. Somos livres! Não falo da liberdade para fazer o que bem entendemos, como não irmos trabalhar naquelas manhãs de inverno chuvoso, ou de não estudar para aquela cadeira chata como o cão do vizinho que passa a vida a ladrar ou de ir ao casamento do nosso irmão mais velho de t-shirt e ceroulas. Na sociedade onde estamos inseridos isso é algo quase impossível, à medida que crescemos vão-nos sendo dadas responsabilidades e modos expectáveis comportamentais e a esses não nos podemos negar, sob pena de acabarmos na miséria ou num sanatório para doentes mentais!
Mas ainda há o terceiro vector. A terra de ninguém, o local onde ainda somos verdadeiramente livres, onde nós e só nós é que decidimos o que fazer. Esse local, é o modo como queremos encarar o dia-a-dia. É aí que vamos buscar forças quando os dois primeiros vectores nos puxam para baixo. É aí que temos as nossas maiores discussões existencialistas. É aí também que encontramos a paz nos momentos mais difíceis da nossa vida.
E é nessa altura que podemos escolher, decidir, optar! Não haverá nenhum outro lugar onde possamos utilizar o adjectivo liberdade com mais significado.
É por isso que faz todo o sentido percebermos e aperceber-mo-nos que vamos sempre a tempo de mudar alguma coisa, de fazer a diferença, nem que seja na nossa vida....
VJ
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